Psicóloga Clínica | Psicanalista

“O tempo cura”. Será?

Quando passamos por situações difíceis, tendemos a acreditar que com o tempo passa ou que o tempo cura tudo.

Pode até ser, mas não é sempre assim…

É muita pretensão achar que o tempo pode resolver tudo; nós temos o nosso papel nessa tarefa também.

Jogar para baixo do tapete sentimentos não processados pode ser mais nocivo do que podemos imaginar.

Quando não processamos sentimentos vivenciados, eles não desaparecem; ficam registrados no aparelho psíquico por meio de uma representação da experiência.

Essa representação atua como sinal para identificar experiências semelhantes futuras, evocando uma reação equivalente à experiência original (sintoma).

Esse processo é mais inconsciente do que consciente, na maioria das vezes não percebemos que isso ocorre, nos tirando do controle sobre nossas ações.

Por exemplo, você foi demitida após cometer um erro. Isso gerou sentimentos como incompetência, desvalia, merecimento de punição, insegurança, etc.

A interpretação que você fez dessa experiência, com base nos sentimentos, é que se cometer um erro será demitida. Isso gerou uma representação que ficou arquivada no seu aparelho psíquico.

Quando você inicia em um novo emprego, poderá se sentir insegura, com medo de errar e ser demitida novamente. Pode também acreditar que não é boa o bastante para executar o trabalho, porque pode errar.

Esses sentimentos provocam comportamentos como trabalhar excessivamente para compensar a incompetência que acredita ter, bajular o chefe para agradar e garantir o emprego, rivalidade com colegas para não ser substituída, etc.

Esses sentimentos podem ser entendidos como sintoma da experiência original não processada.

O seu papel para “curar” a ferida inicial, é tornar consciente esse processo e ressignificar a experiência original para não repeti-la.

O trabalho da psicanálise está exatamente aí: te guiar no processo de ressignificação.

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